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Celina Por Aí

Viagens, dia-a-dia, moda, entre outros. Celina Por Aí é de tudo um pouco.

Celina Por Aí

14.05.18

Bullying: histórias reais de quem já passou por isso


Celina

 

Trago-vos um tema delicado mas que precisa ser falado: bullying. Esta não vai ser apenas mais uma publicação com um simples texto. É muito mais que isso. Este assunto precisa ser falado pois atinge imensas pessoas desde as primeiras idades da vida até às últimas. Muitas pessoas vivem com isso, ou acabam com a vida por isso. Não podemos continuar a fingir que isto não existe, porque sim, existe, e está por todo o lado.

 

Quando pequena, ainda no 1º ano da escola, conheci uma menina gordinha. Ficámos amigas e desde aí sempre fui vista como a amiga da gordinha. Já estão a imaginar o que aconteceu, certo? Mas nunca liguei a isso e sempre segui o meu caminho. Tive momentos em que tinha alguns quilos a mais e tive momentos de estar no meu peso ideal. Sinceramente? Estava-me nas tintas para isso. Certo é que rótulos há sempre seja por boas razões ou por más, mas é essa a sociedade em que vivemos, onde as pessoas são vistas como um frasco numa prateleira do supermercado com rótulos. Adiante... O certo é que há pessoas que sofrem com bullying e isso irrita-me. Não! O que me irrita não é o facto das pessoas sofrerem com isso, é mesmo o facto disso existir.

 

Como já deves ter percebido, acho que este assunto deveria ser mais conversado, mais entendido, mais tudo. Daí esta publicação. Decidi contar-te histórias, histórias de quem sofreu com bullying, histórias de quem vive uma vida marcada por bullying, histórias de superação.

 

Vamos lá?

 

 

A menina linda da foto chama-se Ana Ferreira, tem 23 anos e a sua história é assim:

 

Bem, quando aconteceu comigo, eu tentava não ligar. Como eram pessoas ditas mais velhas, achava que elas teriam alguma razão para dizer o que diziam, mas mesmo assim achava estranho. Tive uma professora que me chamoubde gorda à frente da turma inteira pois estava a usar uma camisola justa e eu era cheinha. Claro que todos os meus colegas gozaram comigo durante um tempo.

Depois tive uma senhora da secretria, que interrompe uma aula para me avisar e, mais uma vez, à frente de toda a turma, disse que os meus pais estavam atrasados no pagamento mensal, entao toda a gente me meteu de parte pois tinha problemas de dinheiro.

Era muito mau. Tive uma professora de evt que não me deixou fazer as típicas prendas de Natal para a família pois, como tive doente e faltei a duas aulas, ia estar super atrasada e ela não queria estar a repetir tudo novamente. Tive de assistir ás aulas, se fosse preciso ajudava a fazer as prendas dos outros miúdos e ainda tive de os ver expostos ao pé do quadro à medida que iam terminando. Isso foi o que me custou mais.

É triste... Para já, a situação em si. Eu devia ter uns 9 anos ou 10, acho que não se faz isso a nenhuma pessoa, muito menos a uma criança. Para além disso, agora sendo Mãe de uma miúda de 8 meses, se alguma vez lhe fizessem uma coisa dessas, eu não iria gostar nada!

 

Podes ficar a conhecer um pouco mais sobre a Ana no seu blog.

 

 

Passamos para a história da Rita, uma menina linda com 21 anos e que mora em Beja:

 

A minha história, é um pouco complexa em certos pontos. Muitos perguntam-se “porque sofrem de Bullying?”, mas, mal sabem eles, que não se escolhe entre sofrer e recusar. Não tem explicação, muito menos uma razão óbvia para o receber. A maioria da população mundial, sofre deste fenómeno natural, as suas vidas ficam contadas, as marcas alargam-se, as feridas são imensas, mas a força é a que mais sofre no meio disto tudo.

Eu senti na pele o que era sofrer de Bullying, a minha vida ficava contada quando chegava à escola, parecia um jogo de terror, em versão “vida real”, mas bastante pior. Durante 12 anos, sofri desprezo, depressão, ansiedade, ataques de pânico e discriminação social. O que eram ideias originais, as pessoas arranjavam soluções para as destruir e isso rebaixava o meu interior. Por vezes pensamos que isto não passa de uma fase na adolescência e que, mais cedo, ou mais tarde, iria passar. As coisas voltariam ao normal e seríamos felizes. Contudo, as coisas não acabaram e eu sentia refúgio na internet. Decidi criar o meu mundo ao criar amizades virtuais, nada de preocupante, pois eu era uma pessoa que adorava jogar e conhecer pessoas novas. Aparentemente, as pessoas que conviviam comigo pessoalmente, utilizaram a internet para “destruir” o que ainda restava de mim, mas não tiveram grande sucesso. Eu não desisti de continuar a fazer novas amizades e isso proporcionou para a realização de blogs, etc. Com o passar dos anos, consegui conhecer inúmeras pessoas, através da internet, que sofreram, sofrem e sentem receio em sofrer do mesmo problema que o meu. Por vezes só necessitam de alguém que os oiça, que consiga compreender o seu lado e aconselhar o melhor exemplo. A minha situação pode, ou não, ser o melhor exemplo a seguir, mas sempre adorei ajudar as pessoas, independentemente da situação, ou problema pessoal. Durante 12 anos senti amargura, um vazio tremendo, não era amada pela sociedade, não era aceite, as pessoas duvidavam das minhas capacidades e se eu tivesse alguma, elas tentavam destruir a mesma, as minhas opiniões eram desprezadas, mas bastava ter alguma que fosse de valor, era utilizada por outro alguém, de modo a ficar com os louros. Fui uma pessoa tímida e insegura durante a minha adolescência, mas com o tempo consegui recuperar o que restou de mim. Eu reconquistei a minha pessoa, lutei pelo que mais adorava, admirava fazer/ver, tornei-me segura de mim mesma, tomei liberdade para argumentar com as pessoas e opinar sobre o que mais interessava. Muitos dos que ainda me conhecem, sabem o quão odeio injustiças, visto que vivi metade da minha vida a receber algumas. É a vida, mas eu cresci.

Hoje, eu continuo a cumprir a minha promessa, do qual consta em ajudar aqueles que mais necessitam, seja em termos de conselhos, ou apenas ouvir os seus desabafos. Nunca devemos rebaixar a nossa pessoa à custa do que a sociedade argumenta sobre a mesma. É preferível ouvir a nossa consciência, do que almas perdidas neste mundo. Um conselho: Sejam vocês mesmos, todos os dias, porque a nossa pessoa, é a coisa mais valiosa que podemos proteger na nossa vida. O texto, em si, está incompleto, muito menos aprofundado, mas deu para perceber que nada na vida, é fácil de se realizar, no entanto, não é impossível.

- Olá, o meu nome é Rita, tenho 21 anos, sou de Beja e esta foi a minha mini-história.

 

Mais uma história que, na minha opinião, não deveria ter acontecido. Se quiseres acompanhar a Rita podes fazê-lo através dos seus blogs Wordpress e SapoBlogs, e ainda através das redes sociais: Twitter e Instagram.

 

 

A nossa querida e lindíssima Francisca Martins tem 20 anos e mora na Covilhã. Fica a conhecer a sua história:

 

Quando era pequenina, tive um problema de saúde que me afetou sensivelmente o lado esquerdo do corpo, contudo, sempre enfrentei tudo e superei muitas das vezes os meus próprios limites, mesmo sem poder. No ciclo, tive a turma praticamente sem me falar e na altura entrei numa depressão por causa disso, mas consegui superar. No secundário também passei por alguns episódios desses mas felizmente tive sempre pessoas do meu lado para me apoiar. Hoje em dia, algumas vezes, ainda recebo comentários desagradáveis ou olhares que conseguem pôr uma pessoa minimamente triste, mas também depende dos dias em que me encontro, há uns dias que afeta me, outros que não estou nem aí para me preocupar, até porque estou na minha.

 

Podes conhecer melhor a Francisca através dos seus blogs Blogspot e SapoBlogs, e ainda através do Instagram.

 

 

 

A bela Naty Garcia, mora em Lisboa e também deixou o seu testemunho:

 

Falar sobre bullying é um assunto bastante delicado para mim porque, mesmo após tantos anos, a última coisa de que gosto de me lembrar é daquela fase em que fui vítima de bullying por parte da pessoa que considerava ser a minha melhor amiga. Sim, nem sempre são as pessoas que mal nos conhecem que nos querem fazer mal.

Tudo começou quando no último penúltimo ano do básico, antes das aulas de Verão, comentei com uma das pessoas que considerava ser minha amiga que deixaria de passar tanto tempo com o nosso grupo de amigas pois queria ter mais tempo para estudar e passar de ano - naquele ano tinha sido muito descuidada com as notas e passei por um triz - e iria passar a fazer uma melhor triagem das pessoas com quem convivia.

Como os meus pais nunca me deixavam sair muito, passei grande parte do Verão em casa o que deu azo a que começassem a ser tecidas intrigas que até então eu desconhecia. 

Um mês antes do início das aulas tive uma infecção urinária, e infelizmente estive muito tempo sem ir às aulas. Quando finalmente regressei as aulas, tinha um inferno a minha espera. 

Fui perseguida, excluída do grupo que eu considerava ser de amigos para a vida, foram espalhadas inúmeras mentiras a meu respeito, tendo mesmo chegado ao ponto de a minha mãe ter de se dirigir à escola para falar com a rapariga que até então considerava como irmã para perceber o porquê daquele comportamento - porque a dada altura eu tinha medo de ir a escola.

A situação ficou resolvida porque o meu irmão mais novo resolveu dar uma surra (teve de ser) a jovem em questão para que ela é as amigas parassem de me perseguir.

Eu nunca disse uma palavra contra essas pessoas que me estavam focadas em fazer-me mal e ostracizar-me. Apenas dizia que quem era meu amigo/a de verdade jamais ficaria do lado dela.... e sem me aperceber a tal triagem de que havia falado no ano anterior aconteceu naturalmente, sem eu ter feito nada.

Foram tempos muito difíceis, mas a verdade é que no final de tudo isso ensinou-me a escolher melhor as minhas amizades. Passei a dar-me com um grupo de pessoas impecáveis e verdadeiras - que também eram vítimas de bullying - com quem mantenho o contacto até hoje, passei de ano como uma das melhores alunas da turma, e ganhei mais confiança em mim mesma.

Antes do ano ter terminado, as amigas da minha ex melhor amiga vieram dizer-me que ela estava muito arrependida, que queria que a perdoasse e voltássemos a ser amigas porque o grupo já não era o mesmo sem mim.... ao que eu respondi... que não!

Que não guardaria rancor dela, mas não fazia questão de que nos voltássemos a cruzar.

Ser vítima de bullying não é fácil, mas as coisas só ficam mais difíceis se nos fecharmos em nós próprios, não pedirmos ajuda e acharmos que o mal está do nosso lado... o meu conselho para quem está situação é sempre: Nunca baixes a cabeça, nunca deixes que te façam sentir menos do que és e se tiveres medo ou perceberes que as coisas estão a escalar pede ajuda: aos teus amigos, aos professores, pais, irmãos... eles estarão sempre lá para nos proteger, não sintam vergonha! Pedir ajuda também é uma demonstração de força. 

Podes seguir a Naty através do seu Blog ou Instagram!

 

 

Por último, mas não menos importante, fica a conhecer a história da Adriana Matos, uma menina linda de 23 anos que mora na Guarda:

 

Escrevo-vos à uma da manhã.
Perguntar-se-ão o que tem de importante a hora a que vos escrevo… Adotei este método como refúgio quando, na escola primária, comecei a sofrer de bullying…
Comecei a sofrer de bullying com os meus sete aninhos e sempre fiz questão de guardar a maioria do que me faziam só para mim.

Sempre fui uma menina mais para o gordinha e vivia bem com isso… Até porque não é suposto preocupares-te com o teu aspeto físico numa idade em que é apenas suposto andar preocupada com a hora em que podes brincar depois da escola.
Para além de ser uma menina gordinha, tinha o cabelo extremamente volumoso… Um cabelo encaracolado do qual eu não sabia tratar e deixava sempre a seu belo prazer.
Fui gozada e espezinhada durante o resto do meu percurso na escola primária e isso conseguiu fazer com que eu acabasse por viver cada vez mais isolada.

Como podem calcular, isso prolongou-se para o ensino preparatório. Aliás, o que passei na escola primária levou-me a ter um medo enorme de mudar de escola… Imaginem o pânico que eu sentia quando pensava que ia para uma escola maior… que correspondia a mais pessoas para me mal tratarem um pouco mais.
Então, assim foi nos dois anos que se seguiram… Até mudar de escola outra vez!

Mudei de escola quando passei para o 7º ano… Não parou, não deixou de existir, apenas foi um pouco mais atenuado.
As circunstâncias da vida fizeram-me mudar de cidade e tive um medo avassalador de que a minha situação piorasse…
E, meus queridos, piorou da pior maneira possível… Nessa altura até eu comecei a fazer bullying a mim mesma.
Acho que isso sempre foi expectável! Chega-se a um ponto onde deixamos de gostar de nós mesmos… E, segundo algumas pessoas que conheci, demorei algum tempo a chegar a este patamar.

Tinha então 15 anos quando comecei a falar disto com uma psicóloga, desculpem mas de nada me adiantou. Todos os progressos que vivi alcancei-os devido a duas amigas minhas que sempre estiveram a meu lado nisto de pedra e cale.

Penso que foi por volta dos meus 18 anos que comecei a ver-me com outros olhos… Sabem!? Comecei a não viver tão desagradada com aquilo que sou.

Não voltei a sentir bullying pela parte de outros nos anos que se seguiram… A única pessoa que me rebaixava era eu mesma.
Aos meus 22 anos quase não me lembrava de ter sofrido de bullying e quase não me detestava quando me olhava ao espelho… Até que neste mês de abril fui ‘aceite’, por assim dizer, de volta a essa casa que tinha feito questão de desabitar… Foi o meu ex namorado que me reabriu as portas e as janelas desse lar que não era meu, não mais, e me deu a almofada que colava à barriga enquanto me rebaixava durante horas a fio.
Não pensava, jamais com 23 anos, voltar a sentir-me desta maneira e, muito menos, devido a uma pessoa que amei e a quem dei tudo o que tenho e sou.

Gostava de estar a fechar este testemunho com chave d’ouro mas, perdoem-me, eu (já) não tenho essa chave … Não a tenho e penso que na mão nunca a tive.
No entanto, posso dizer-vos que não vão ser psicólogos ou amigos a ajudar-vos na corrida de alcance desta tão desejada chave d’ouro… Depende só de vocês, de nós; única e exclusivamente de nós!

Acreditem, nós somos muito mais fortes do que julgamos ser!
Isto vai passar e nós vamos todos sentir-nos uns vencedores -  porque é isso que somos, vencedores!

 

Podes encontrar a Adriana no seu BlogFacebook e no Instagram!

 

 

Espero sinceramente que esta publicação ajude outras pessoas que estejam a passar por esta situação. Tu, que estás a ler esta publicação, se estás a passar por isto, tenta encontrar em cada testemunho força para superar tudo e, caso pretendas desabafar com alguém eu estarei aqui. Entra em contacto comigo através do Facebook e terás um ombro virtual amigo.

 

É preciso falar destes assuntos, é preciso ajudar as pessoas que estão a passar por isto, é preciso...

 

Créditos da imagem inicial.

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